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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Os cândidos sociais

Praticamente todas as semanas dá à estampa pelo menos (mais) uma ocorrência desse enorme colrolário de "benfeitorias" sociais que decorrem sob o amplo "chapéu da Segurança Social...

02.07.2017 21h12

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-07-02-Adolescente-foge-de-lar-de-infancia-na-Covilha-e-denuncia-maus-tratos

"Há suspeitas de maus tratos a crianças da Casa do Menino Jesus, na Covilhã. A denúncia partiu de uma adolescente que fugiu da instituição e relatou à Polícia Judiciária da Guarda que há crianças obrigadas a comer do chão e a ficar de castigo num quarto escuro. O Ministério Público já constitui dois arguidos e a direcção da Casa abriu um inquérito interno." 

Diz o presidente da Instituição que
"... o que me reportaram  - e parece que é verdade - é que havia uma das técnicas.. ahh... que parece que fechava as crianças à chave; isso é um comportamento lamentável..."

Esta candura do Sr. Lopes lembra-me a candura do pasteleiro José Severino, apanhado numa entrevista antecipada: 
"... quer-se dizer, eu é mais bolos, não é, é a minha especialidade, é mais bolos e... e também temos salgados... mas é mais bolos e nesta época, é mais o Bolo-rei não é..."

Mas a candura do Sr. Lopes continua (aos 03':44''),
"... a segurança social já nos pediu a entrada de mais crianças no lar; isso alguma coisa dirá sobre o que a Segurança Social pensa da Casa do Menino Jesus..."

e continua a lembrar-me a candura do pasteleiro José Severino (aos 2':57''):
"... a menos que... se a Senhora quiser eu posso-lhe fazer uma coisa: a Senhora dá-me as perguntas de cardiologia, não é, eu vou ao meu médico, faço-lhe as perguntas, aponto tudo e depois venho para aqui responder..."

São uns cândidos e umas cândidas; todos, desde o ISS, através dos/as interfaces, até às Ipes. Malandros e sabidões são os utentes; uns espertalhaços, já nascem ensinados para a malandrice e há que tratá los como mandava a bondosa madre Teresa...

terça-feira, 13 de junho de 2017

É negócio e é espúrio

04.06.2017 às 11h00
http://expresso.sapo.pt/sociedade/2017-06-04-Maconaria-em-busca-da-influencia-perdida

"... há cada vez menos políticos influentes e a esfera de intervenção da maçonaria diminuiu. Os “irmãos” estão preocupados e têm estratégias para recuperar o poder. Mas permanecem os rituais, os códigos secretos, as teias de negócios e o peso maçónico em áreas como as autarquias e os serviços secretos (...) Foi também numa guerra de maçons que se descobriu que a maior proprietária privada de imóveis em Lisboa, a Associação Inválidos do Comércio, uma IPSS, era controlada pela maçonaria. Com um património de 70 milhões de euros e mais de 150 imóveis na cidade, o poder maçónico tornou-se evidente quando dois maçons que faziam parte da direção acusaram de má gestão Damião Vozone, o “irmão” da Loja Madrugada, que dirigia a instituição. Eles foram expulsos da IPSS em 2014 e o caso acabou em tribunal (...)".

sábado, 3 de junho de 2017

"Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte..."

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/silves/dirigentes-de-ipss-desviavam-dinheiro-para-contas-pessoais

2017-06-01 15:47

Dirigentes de IPSS desviavam dinheiro para contas pessoais

"PJ detém homem e mulher suspeitos de terem causado prejuízos de 95 mil euros à Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que dirigiam em Silves da qual desviavam dinheiro e em nome da qual compravam bens para si próprios..."

=== < > ===

Compravam carros, computadores e até picanha em nome da creche

"Um homem e uma mulher foram detidos esta semana pela PJ de Portimão. Alegadamente lesaram a IPSS que dirigiram entre 2012 e 2016, na freguesia algarvia de Pêra, em cerca de 100 mil euros"
Os suspeitos foram detidos na terça-feira
Foto
http://www.dn.pt/lusa/interior/detidos-suspeitos-de-desviarem-dinheiro-de-ipss-que-dirigiam-no-algarve-8525236.html

"A Polícia Judiciária deteve um homem e uma mulher suspeitos de terem causado prejuízos de 95 mil euros à Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que dirigiam, no Algarve, da qual desviavam dinheiro, foi hoje anunciado.

Em comunicado, a PJ adianta que, entre 2012 e 2016, no exercício de cargos dirigentes de uma IPSS na zona de Pêra, no concelho de Silves, os suspeitos "compraram bens para si em nome da instituição, desviaram dinheiro desta para contas pessoais e usaram em exclusividade bens da referida IPSS".


quarta-feira, 31 de maio de 2017

IPSSilusionistas

http://derterrorist.blogs.sapo.pt/da-transparencia-3294544

Da transparência

por josé simões, em 25.05.16

La-Sposa Ralph Brown.jpg


O Ministério do Trabalho, Solidariedade e da Segurança Social do Governo da 'Geringonça' não autoriza que o contribuinte tenha acesso às contas das organizações da indústria da engorda às custas da miséria e da desgraça alheia, vulgo Instituições Particulares de Solidariedade Social, subsidiadas pelo dinheiro do contribuinte, numa acção concertada entre o Governo da direita radical e a Igreja Católica – que é quem na realidade tutela e administra as ditas IPSS da caridadezinha, como uma das etapas do desmantelamento do Estado social. Há aqui qualquer coisa que nos escapa...

[Na imagem "La Sposa", Ralph Brown ]

sexta-feira, 31 de março de 2017

Quem vê 'caritas' não vê corações

Março 10 2017 (http://omeupontodevista.blogs.sapo.pt/ha-coisas-incompreensiveis-519237)
transferir.jpg
"Então não é que a Cáritas de Lisboa tem reservas de 2,4 milhões de euros e uma quantidade enorme de imóveis devolutos, i.e., sem renderem o que quer que seja? Uma IPSS, e ainda por cima ligada directamente à Igreja Católica, com um procedimento destes não é admissível. Que tenha o seu pé-de-meia para uma emergência, todos lobrigamos. Mas tanto? E com tanta miséria à sua porta? O que Cristo diria e, sobretudo, faria se viesse à Terra? Sorte a deles, pois seriam corridos tal como foram os vendilhões do templo.
A agravar a situação, a prestação de contas que, por Lei, é obrigatória, bem como a respectiva publicitação, só o foram porque o Público assim o exigiu em tribunal. Lindo exemplo! Não é só na política que estamos mal servidos. Muitos lugares na Igreja existem a necessitar urgentemente de uma varredela.
Deixo, desde já, a minha declaração de interesses. Como contribuinte líquido para a Igreja Católica, da qual me honro de fazer parte, imponho duas coisas: uma explicação cabal destas situações e o fim imediato das mesmas. Ah, já agora, Fátima, ao contrário do que ouço por aí, não é a mesma coisa, já que não se trata de uma IPSS, tendo apenas por obrigação prestar contas a quem de direito, ou seja, à Conferência Episcopal Portuguesa.
Atenção, porém, que o caso da Cáritas de Lisboa não é único. Segundo informações vindas a público, Coimbra e Setúbal andam pelos mesmos caminhos. Infelizmente não pelos do Senhor."
publicado por Hernani de J. Pereira às 10:00
ver tb
http://www.sabado.pt/portugal/detalhe/escandalos-nas-instituicoes-de-solidariedade

quinta-feira, 23 de março de 2017

IPSS Verbis


"A indústria da acção social"


"
Bruno Faria Lopes19 de março de 2017 às 20:30

A indústria da acção social

Sem pôr em causa a importância das IPSS, é possível criticar vários aspectos da sua acção. A maioria é gerida por voluntários e tem dificuldade em atrair boa gestão. A opacidade é enorme.

1. O Estado não assumiu historicamente responsabilidade directa sobre a caridade – ou, na versão mais moderna e abrangente, sobre a acção social. Das Misericórdias no século XV à Casa Pia no século XVII, foi a Igreja a fazer o trabalho. A ausência prolongou-se no Estado Novo e, quando os políticos pós-revolução compararam a capacidade ínfima do Estado nesta área com o que já existia no terreno, decidiram pragmaticamente continuar o modelo que torna Portugal numa "originalidade", para citar o sociólogo Pedro Adão e Silva.

2. A Igreja tem um peso grande na acção social, mas as instituições particulares de solidariedade social, ou IPSS, são também uma resposta da sociedade civil, o que não deixa de ser relevante no país do individualismo. Uma parte dessa resposta tem a ver com incentivos públicos. Sucessivas políticas incentivaram desde 1974 a criação de milhares de IPSS: de menos de 1.500 em meados dos anos 80 passámos para quase 4.000. 

3. Quando falamos de "acção social" falamos de coisas importantes e dirigidas preferencialmente, em tese, a quem tem menos: creches, ensino-pré-escolar, lares de idosos, acompanhamento ao domicílio, serviços usados em 2015 por 535 mil pessoas. O Estado delega e paga: nesse ano transferiu um recorde de 1.500 milhões de euros para as IPSS (não contando a despesa fiscal em isenções e benefícios). Mais de 70% vai ao abrigo de acordos de cooperação, que contratualizam o apoio estatal – uma parceria público-privada, atomizada por milhares de operadores.

4. Sem pôr em causa a importância das IPSS, é possível criticar vários aspectos da sua acção. A maioria é gerida por voluntários e tem dificuldade em atrair boa gestão. A opacidade é enorme. Não há publicação de contas e actividades – nem os doadores de milhões conseguem uma prestação elementar de resultados, como mostra a história da SÁBADO desta semana sobre o caso da Cáritas Diocesana de Lisboa, noticiado inicialmente pelo Público. As irregularidades e fraudes abundam. A fiscalização é curta. E há dúvidas sobre o próprio modelo de relação com o Estado. O financiamento público da oferta de serviços, por exemplo, não desincentiva as IPSS de seleccionarem famílias com mais recursos, maximizando a receita à custa do combate à desigualdade.

5. A indústria da acção social é um lóbi forte. Tem, por um lado, a força da Igreja. E tem, por outro, o não menos importante apoio dos autarcas, que se aliam às entidades valorizadas pelos eleitores (e que, em alguns casos, têm relações cruzadas com as IPSS). Estes apoios e a imagem de que trabalha em "caridade" fazem com que esta seja uma PPP difícil de reformular. Nem um Governo socialista suportado por Bloco e PCP (hostis ao modelo das IPSS), e com uma secretária de Estado da Segurança Social que defendeu uma interessante tese de mestrado sobre o assunto, parece ter vontade em fazê-lo – muito menos em ano de eleições autárquicas. 

6. O aperto da fiscalização da Segurança Social e a publicação das contas das IPSS não dependem, contudo, destes condicionalismos políticos – ambas deviam ser prioridades da tutela nesta área. Como devia ser a prioridade das confederações de IPSS apertar a gestão e a transparência antes que alguém o venha impor. A pressão criada pela publicação destes casos é um risco para toda esta indústria que também vive de donativos. A mediatização junta-se às denúncias mais frequentes de pessoas contra más práticas nas IPSS – um sinal de evolução social e uma oportunidade para obrigar estas instituições a mudar."

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

IPSS, IPSS, IPSS, HURRA, Feliz Ano Novo

Setúbal

Dois detidos por suspeita de fraude contra a Segurança Social

Suspeitos terão desviado mais de 500 mil euros de uma IPSS

Foto: Arquivo JN - 13 Dezembro 2016 às 15:06

"A PJ de Setúbal anunciou a detenção de duas pessoas por suspeita de crimes de peculato, branqueamento e fraude contra a Segurança Social qualificada, em valores que ascendem a mais de 500 mil euros.

"Exercendo funções durante cerca de 10 anos numa instituição particular de solidariedade social da margem sul do Tejo, um dos detidos, [...] conjuntamente com o seu coautor e em benefício comum", apropriou-se de verbas que "ascendem a mais de 500 mil euros, em prejuízo da própria instituição, de utentes desta e, ainda, do próprio Estado", refere a PJ em comunicado.

Os detidos são uma mulher de 58 anos e um homem de 62, ambos suspeitos dos crimes de peculato, abuso de poder, administração danosa, fraude contra a Segurança Social qualificada e branqueamento.

Os detidos irão serão presentes às autoridades judiciárias competentes, para realização de primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas"...
ver tb
http://diariododistrito.pt/index.php/news/7281/126/SETuBAL-PJ-deteve-duas-pessoas-por-fraude-contra-a-Seguranca-Social

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Autónomos, auto-suficientes e outros "autarcas"

Nada de mais, cada qual procura como pode a sua "autarcia" (auto-suficiência):

Nota do Blogger: aos envolvidos em casos neste estadio assiste o direito à presunção da inocência.


"... Há uma denúncia no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto sobre as ligações familiares existentes entre três IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) e a Câmara de Gaia, avança hoje o Público. O jornal escreve que a mulher do presidente da autarquia foi aumentada 390% em cinco anos e refere os vários casos existentes.

"Familiares diretos do presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e do vice-presidente, Patrocínio de Azevedo, a adjunta da presidência e autarcas de juntas de freguesia, todos com responsabilidades políticas no PS, integram a direção de três das principais instituições de solidariedades social do concelho, a quem a autarquia entregou o negócio dos Ateliers de Tempos Livres (ATL) nas escolas, que eram geridos pelas associações de pais", escreve o Público.

Elisa Costa, mulher do presidente da Câmara, Eduardo Vítor Rodrigues, é vice-presidente da assembleia geral na Sol Maior e diretora técnica desta IPSS, cofundada pelo marido há nove anos. Entre 2010, quando ali iniciou funções, e 2015, o seu salário base sofreu um aumento de 390%, diz o jornal, especificando que passou de 475 euros para 2.343,71 euros. Segundo o Público, Elisa Costa teve dois aumentos salariais em 2014 e outros três em 2015.

Questionada pelo jornal, a mulher do presidente de Gaia começou por negar os aumentos, tendo depois considerado que estes eram normais e decorrentes das responsabilidades que foi assumindo. Já o autarca, Eduardo Vítor Rodrigues, afirmou ao Público que os dois aumentos de 2014 resultam de "uma atualização anual remuneratória de acordo com a tabela das IPSS e o seu índice de atualização, cumulativamente a uma condição de "isenção de horário" devido ao tempo de trabalho fora de horas, nunca tendo beneficiado de remuneração de "trabalho extraordinário"".

Elisa Costa é ainda coordenadora do Programa Gai@prende+, um projeto que a IPSS desenvolve nas escolas e jardins de infâncias de algumas freguesias, uma parceria entre a Sol Maior e a Câmara. O autarca nega qualquer favorecimento, mas o Público refere que "por sua iniciativa, a câmara entregou ainda a coordenação técnica do Programa de Contratos Locais de Desenvolvimento Social (CLDS+) à mesma IPSS".

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

IPSP - Instituições Particulares de Solidariedade...particular

"Exercendo funções durante cerca de 10 anos numa instituição particular de solidariedade social da margem sul do Tejo, um dos detidos, [...] conjuntamente com o seu coautor e em benefício comum", apropriou-se de verbas que "ascendem a mais de 500 mil euros, em prejuízo da própria instituição, de utentes desta e, ainda, do próprio Estado", refere a PJ em comunicado.
Os detidos são uma mulher de 58 anos e um homem de 62, ambos suspeitos dos crimes de peculato, abuso de poder, administração danosa, fraude contra a Segurança Social qualificada e branqueamento.
Os detidos irão serão presentes às autoridades judiciárias competentes, para realização de primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas."


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Tão unidos, tão comparsas [1]

MP acusa dirigentes de IPSS de Famalicão de peculato e branqueamento 

[1] o tesoureiro e a presidente da direção e ainda três elementos da mesa da assembleia geral 

Resultado de imagem para freguesia de bairro + famalicão
"O Ministério Público (MP) acusou cinco responsáveis de uma IPSS de Bairro, Famalicão, de crimes de peculato, branqueamento, participação económica em negócio e falsificação, informou esta quarta-feira a Procuradoria-Geral Distrital do Porto.

Em nota publicada na sua página na Internet, aquela procuradoria refere que os factos se reportam à atuação dos arguidos enquanto membros dos órgãos sociais de uma IPSS de Bairro, Vila Nova de Famalicão, entre 2008 a 2011.

Um dos arguidos era tesoureiro, uma arguida era presidente da direção e os restantes três eram elementos da mesa da assembleia geral.

O MP considerou indiciado que o tesoureiro se apropriou de mais de 1,7 milhões de euros, pertença da IPSS, essencialmente através de transferências de verbas de contas da instituição para contas de empresas de que era gerente.

Segundo o MP, aquele arguido procedeu também à retirada de dinheiro da caixa.

Ainda de acordo com o MP, o arguido faria passar aqueles valores pelas contas das ditas sociedades, após o que as encaminhava para contas pessoais, suas e da mulher, "assim pretendendo aparentar a licitude da sua origem".

Indiciou ainda o MP que, por força daquela apropriação, a IPSS deixou de efetuar os pagamentos devidos à Segurança Social e se viu impossibilitada de apresentar candidaturas a fundos comunitários.

Para resolver este impedimento, o tesoureiro terá forjado um documento atestando que a IPSS tinha a situação contributiva regularizada, "assim como forjou atas de assembleia geral, com a colaboração dos arguidos membros da referida mesa, para obter empréstimo junto de entidade bancária".

O tesoureiro está acusado da prática de um crime de peculato, um crime de branqueamento, dois crimes de falsificação e um crime de participação económica em negócio.

Relativamente à arguida presidente da direção, o MP imputa-lhe "ter determinado que a IPSS lhe abonasse mensalmente, para além do que lhe era devido, a quantia de 620 euros, que ia contabilisticamente classificada como 'horas', o que sucedeu de janeiro de 2010 a setembro de 2012".

A arguida terá ainda, juntamente com o tesoureiro, contraído empréstimo bancário em nome da IPSS, hipotecando o património imobiliário da instituição.

Está acusada da prática de um crime de peculato e de um crime de participação económica em negócio.

O MP refere que o tesoureiro dos montantes de que se apropriou, devolveu já voluntariamente o montante de 398 mil euros [23% do montante que terá desviado e ainda antes do cálculo de juros e outros prejuízos].
Assim, o MP promoveu que a arguida seja condenada a pagar ao Estado o valor de 19.220 euros e o arguido 1,3 milhões de euros, a título de vantagens obtidas com a prática dos crimes.

O MP quer ainda que o arguido pague mais 1,6 milhões de euros, "por constituir património que só encontra justificação como vantagem de atividade criminosa".

Para garantir o pagamento destas quantias, foi requerido pelo MP o arresto de bens.

Os três membros na mesa da assembleia geral estão acusados de um crime de falsificação.

domingo, 3 de abril de 2016

Ipss... Ipss - malditos soluços!

http://observador.pt/2016/03/23/dois-arguidos-peculato-ipps-lisboa/

Padre usava dinheiro de IPSS para carros de luxo

23/3/2016, 

"Padre que dirige Casa do Gaiato de Lisboa foi constituído arguido pela PJ por suspeitas de peculato. Terá desviado dinheiro das cinco instituições por onde passou. Há mais um arguido no processo"...




"A PJ fez dez buscas para procurar elementos de prova

O padre que preside a Casa do Gaiato, em Loures, foi constituído arguido por suspeitas de peculato na sequência de uma operação esta quarta-feira levada a cabo pela Polícia Judiciária. Os inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção constituíram ainda um outro suspeito arguido, que trabalhava diretamente com aquele sacerdote.

A investigação, coordenada pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) desde 2014, levou os inspetores da PJ a passarem a pente fino as casas das cinco Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) por onde o padre Arsénio Isidoro passou entre Loures e a região Oeste. Foram feitas dez buscas — em locais pertencentes às instituições e a uma residência — e foi recolhido diverso material de prova. A polícia suspeita que o padre tenha desviado fundos destas instituições para proveito próprio.

Era uma coisa muito ostensiva. Comprava carros de luxo de alta gama, que depois vendeu porque terá sido avisado. Falamos de quantias muito avultadas, mas o valor certo só será determinado após a investigação”, disse fonte da PJ ao Observador"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

SEGURANÇA SOCIAL
Suspeitas nas contas das IPSS1

"As contas das instituições particulares de segurança social não são controladas e há casos de associações que, apesar de receberem subsídios públicos, mantém ligações suspeitas entre os seus dirigentes e negócios de que estes são proprietários.
Foto: António Gomes/Global Imagens - Amadeu Araújo

Um dos casos que é do conhecimento da Segurança Social diz respeito ao Centro Paroquial de Carvalhais, São Pedro do Sul. As denúncias constam de várias cartas, postas a circular no concelho e enviadas às entidades oficiais e são sustentadas em cópias de documentos, incluindo transferências bancárias. Os dirigentes não só são remunerados como também prestam serviços a esta instituição particular de solidariedade social".

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Tudo "gente" que não acredita no Pai Natal e por isso "vai fazendo pela vida" :))

olha que rica prenda para o sapatinho furado dos 'beneficiários nominais' (le troisième etat) da Segurança Social:

Fraudes à Segurança Social envolvem directores de IPSS, empresários e médicos

"Documento enviado ao Governo pela PJ identifica 16 investigações. Informação desagregada sobre fraudes fiscais e na Saúde não foi divulgada ainda.
ANDREIA SANCHES 9 de Dezembro de 2013, 19:21
(https://www.publico.pt/2013/12/09/sociedade/noticia/fraudes-a-seguranca-social-envolvem-directores-de-ipss-empresarios-e-medicos-1615675)


Foto-JOSE FERNANDES

Pelo menos 16 investigações conduzidas pela Polícia Judiciária (PJ) relacionadas com fraudes na Segurança Social. Mais de 130 pessoas constituídas arguidas, 13 detenções e centenas de suspeitos — só num dos processos o número de suspeitos é de 180, entre "pessoas colectivas e individuais". É este o balanço feito num documento disponibilizado pelo Ministério da Justiça no dia em que Almeida Rodrigues, director da PJ, declarou, em Loures, que as fraudes na Segurança Social, Saúde e fisco atingiram mais de 100 milhões de euros no último ano.



De acordo com o documento preparado pela PJ e enviado ao Ministério da Justiça, estão a ser investigados directores e administradores de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), médicos, empresas, funcionários da Segurança Social e particulares. Uma das investigações diz respeito à obtenção fraudulenta de subsídios para consultas de psicologia e terapia da fala que poderão nunca ter sido realizadas (numa fraude que poderá ultrapassar os cinco milhões de euros).


Noutro processo, poderão estar em causa crimes de corrupção relacionados com "reformas fraudulentas no âmbito das juntas médicas do Serviço de Verificação de Incapacidades da Segurança Social". Foi constituído arguido um médico. Tudo começou com uma denúncia anónima.

Fraudes na Segurança Social, Saúde e Fisco atingiram 100 milhões no último ano


Alguns dos casos referidos no documento remetem, contudo, para investigações mais antigas — caso de um contabilista que "constituía empresas sem actividade ou com actividade reduzida" para, através de falsos contratos de trabalho e falsas declarações de remunerações, criar "prazos de garantia ou as condições legais para obter subsídios e/ou reformas" acima do valor a que as pessoas que o contratavam tinham direito. Em Junho de 2011, a organização foi desmantelada e oito pessoas detidas. Uma outra investigação, por motivos idênticos a esta, está em curso, com 180 suspeitos.

O documento da PJ compila um total de 16 "investigações sobre fraude à Segurança Social". Em muitos casos, falta contabilizar os montantes envolvidos, mas, somando aqueles em que é possível apurar valores, chega-se a 12,7 milhões de euros. Muito menos do que os 100 milhões referidos por Almeida Rodrigues à margem da sessão em Loures destinada a assinalar o Dia Internacional do Combate à Corrupção. Uma sessão onde ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, deu alguns exemplos de investigações conduzidas pela PJ com sucesso — todas na área da Segurança Social.

Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete de imprensa do Ministério da Justiça faz saber que os dados dos montantes das fraudes alvo de investigação não estão ainda desagregados, pelo que não é possível saber para já como se distribuem os 100 milhões pelas três áreas nem enumerar, como a PJ fez para a Segurança Social, outras investigações, noutros sectores.
Subsídios a duplicar

Na sessão em Loures, Paula Teixeira da Cruz lembrou um caso relacionado com a concessão fraudulenta "de pensões, subsídios e abonos" no valor 1,7 milhões de euros. O documento preparado pela PJ dá detalhes. Diz-se que a investigação em causa "tem por objecto a concessão fraudulenta, pelo Centro Nacional de Pensões e Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa, de reformas, de abonos a descendentes e de subsídios de desemprego, no âmbito da qual foi já desenvolvida uma operação, em Outubro de 2012, que implicou a realização de 25 buscas domiciliárias e não domiciliárias (incluindo aos serviços públicos em apreço) e quatro detenções". Pode estar em causa um valor superior a 1,7 milhões de euros.


Uma outra investigação centrou-se num homem que terá beneficiado durante mais do que uma década das pensões de reforma e de sobrevivência da mãe — o montante do prejuízo ao erário público não é divulgado.

O documento diz ainda que entre os arguidos há quatro médicos — num caso por emissão de parecer falso em junta médica; noutro, envolvendo três clínicos, investiga-se "alegadas práticas de corrupção" no âmbito da atribuição de reformas por invalidez, em sede de recurso, por uma equipa do Serviço de Verificação de Incapacidades da Segurança Social. Cerca de 60 testemunhas foram ouvidas e o inquérito já foi remetido ao Ministério Público com proposta de acusação.

Proposta idêntica foi feita num caso relacionado com "abuso de confiança contra a Segurança Social por uma sociedade ligada ao sector da construção civil". Apurou-se uma dívida ao Estado português no valor 658.510 euros.

Estão ainda a correr vários inquéritos relacionados com "obtenção fraudulenta de subsídios" e "que visam a gestão de instituições particulares de solidariedade social, pelos seus administradores/directores, pela prática de actos lesivos para a Segurança Social, nomeadamente na recepção de subsídios em montante superior àquele a que, em circunstâncias correctas, teriam direito". Não se referem montantes.

Outras IPSS estão a ser investigadas por "recebimento abusivo de subsídios concedidos no âmbito de acordos de cooperação com a Segurança Social".
Apelo à denúncia

É ainda referida uma investigação que envolve 95 arguidos que, através de contratos de trabalho e recibos de vencimento fictícios, obtinham subsídio de desemprego. "O valor envolvido é superior a 300 mil euros." Foram acusadas 93 pessoas pela prática dos crimes de associação criminosa, burla tributária e burla tributária à Segurança Social.


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Recorda-se, por fim, o caso de um funcionário da Segurança Social detido no âmbito de uma investigação sobre "utilização abusiva de telefones com prejuízo superior a 500 mil euros".

Tanto a ministra como o director da PJ reconheceram que o combate à fraude não se deve confinar à PJ e às instituições do Estado. Paula Teixeira da Cruz deixou um apelo aos portugueses: "Penso que é um dever de cidadania denunciar fraudes, denunciar corrupção e outros crimes."

Em Julho, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, tinha afirmado que o número de casos reportados sobre fraudes no Serviço Nacional de Saúde era já superior a 130 milhões de euros."

sábado, 2 de novembro de 2013

Para que nunca lhes falte nada!

Governo cria fundo de 30 milhões de euros para IPSS

-25 Outubro, 2013
Rodrigo Gatinho / portugal.gov.pt

foto: Rodrgo Gatinho, portugal.gov.pt

"O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social (MSESS) anunciou hoje a criação de um fundo de 30 milhões de euros para o terceiro setor, com vista à reestruturação das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS).

A ser ouvido nas Comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública e de Segurança Social e Trabalho, onde o Orçamento do Estado está a ser discutido na generalidade, Pedro Mota Soares anunciou que irá ser criado um fundo destinado ao terceiro setor.

De acordo com o ministro, esse fundo, criado “pela primeira vez”, pretende ser “uma importante medida de ação social para as instituições do terceiro setor”, que tem por objetivo a “reestruturação económica e financeira das IPSS, Misericórdias e Mutualidades”.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Haja fome, é preciso dar uma ocupação ''útil'' aos generosos de catálogo

https://aventar.eu/2012/11/10/o-banco-alimentar-haja-fome/


"O Banco Alimentar haja fome

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Isabel Jonet voltou a abrir a boca, e não tendo entrado mosca também não disse nada que não tivesse dito anteriormente, a velha k7 do vivemos acima das nossas possibilidades em versão bife. Mas aproveitemos para pensar no Banco Alimentar e em toda a cadeia das IPSS, cada vez mais sustentada pelo benemérito Mota Soares com os nossos impostos.
Explica Paulo Pedroso:
Em 2011 as campanhas de recolha em supermercados contribuíram apenas com 10% do valor dos produtos recolhidos pelo Banco Alimentar de Lisboa. A indústria agro-alimentar, reciclando os seus excedentes, doou 43%. A reciclagem de excedentes da UE contribuiu com 22%. O Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (de novo, os excedentes) doou  11%. As retiradas de fruta pelo IFAP (ainda os excedentes)  renderam 6%. Ou seja, ao todo, o escoamento de excedentes correspondeu a 82% do valor dos produtos distribuídos.
Ao que parece o “core business do Banco Alimentar não é a nossa caridade, é evitar o escândalo da destruição de produtos alimentares no nosso país e na nossa Europa“. Estamos sempre a aprender. O que me preocupa é como a jusante estes alimentos são distribuídos. Preocupa-me saber se praticam as moralices da Jonet na hora de dar um kg a um ou meio a outro, se existe segregação de acordo com a prática religiosa ou sua ausência, e a vida que se leva, que ouvir madames Jonet a chamar desenvergonhada a esta e bêbado àquele é o pão nosso de cada dia. Fazer o bem sem olhar a quem é não é para todos, e esta gente tem um longo passado de probrezinhos de estimação e pobres de embirração.
Acreditar que as instituições da Igreja Católica Apostólica Romana funcionam de forma muito diferente de uma Irmandade Muçulmana é puro lirismo. E tudo o que vem do estado deve ser distribuído pelo estado e por técnicos do estado, devidamente habilitados para o efeito (sim, os cursos superiores de Serviço Social existem). Mais, é vergonhoso que as IPSS sejam financiadas sabendo que entre os seus gastos está o pessoal, seleccionado de acordo com critérios de fé e não com a isenção e igualdade que o estado deveria ter.
Quanto à caridade, não é o meu campeonato: quero é acabar com os pobres e não preciso deles para salvar a alma, coisa que de resto nem sequer existe"

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um 'Estado' cúmplice, por acção ou amissão?...

http://apodrecetuga.blogspot.pt/2012/06/quando-os-privados-querem-explorar-os.html#ixzz2cKrZ1tta

Não votem em corruptos!

"Os privados querem explorar as classes mais frágeis, os idosos, e o estado subsidia?"


OS POLÍTICOS IMPÕEM REGRAS NOS LARES, CENTROS DE DIA, CUIDADOS CONTINUADOS, ETC, QUE BENEFICIAM OS NEGÓCIOS PRIVADOS, E NÃO OS CIDADÃOS E O ESTADO?...
A denuncia é feita por Jaime Ramos, no seu livro - “Não basta mudar as moscas…"

sábado, 1 de janeiro de 2011

O Lobbie da caridade

http://www.odiario.info/?p=972&print=1

Pobres dos pobres que são pobrezinhos…

Jorge Messias* :: 10.12.08
Jorge MessiasEntre os anos 80 e os anos 90 “a igreja, aliada às grandes fortunas, promoveu a fixação em Portugal de poderosos bancos de origem sobretudo espanhola que acabaram por dominar totalmente o mercado financeiro português. Eram formações de capitais com origem mista – laica e eclesiástica – que mergulhavam profundas raízes no mundo confessional das grandes Ordens canónicas tradicionais, na Opus Dei ou nas Fundações católicas e no próprio Banco do Vaticano cujos gigantescos capitais integram riquezas acumuladas desde os tempos arcaicos do Comércio e da Conquista.”
As altas esferas da sociedade arrastam-se pela lama. Em Portugal, subiu o pano e vêm à baila as fraudes e os escândalos que envolvem políticos e banqueiros. Também por cá como, aliás, no restante mundo capitalista, multiplicam-se como cogumelos as manobras tendentes a transferir para os mais pobres os custos da crise dos ricos, a concentrar as fortunas e a desferir golpes mortais nos sistemas sociais garantidos pela Constituição. São muitos os pretextos invocados mas o objectivo central dessas manobras é sempre a destruição dos direitos e das liberdades dos cidadãos e o encaminhamento para a área privada e lucrativa das instituições do Estado que deveriam garantir o serviço público.
Tudo isto é acompanhado pelo aumento dos impostos, pelo agravamento da taxa de desemprego, pela desagregação da rede de segurança social e hospitalar, pela anarquia e pelas exclusões conscientemente provocadas na área educativa, pelos cortes de verbas orçamentais cirurgicamente aplicados nas autarquias e pelos corrupios dos dirigentes que saltam das direcções dos partidos ou dos lugares nos governos para as administrações públicas e privadas, sabotam as instituições, engordam as suas fortunas e, depois voltam ao ponto de partida para logo recomeçarem o ciclo infernal. No caso português, destas manobras resulta o contínuo aprofundamento do fosso entre ricos e pobres e a destruição da economia e do tecido social. Estamos a assistir, em Portugal, a um verdadeiro golpe de estado palaciano desenvolvido a um ritmo alucinante.
“Caridade bem ordenada por nós é começada…”
Em termos de imagem, é a igreja católica portuguesa aquela que sai mais degradada desta corrupta situação social. A opinião pública pouco se choca com os escândalos financeiros que vão surgindo por toda a parte. Os portugueses têm consciência de que a actual classe política do arco do poder e o capitalismo em geral se caracterizam pela ganância, pela cupidez e pela ambição pessoal desmedida. Estes traços característicos do grande capital e de muitos políticos oportunistas não são novos, vêm dos confins dos tempos e estão espelhados nos sofrimentos impostos pelas tiranias às camadas populares.
A igreja católica e a sua hierarquia deveriam, em princípio, serem excepção a esta regra geral. Desde sempre, perante o povo, a instituição católica tem sistematicamente aparecido como «opção pelos pobres» que obriga a sua hierarquia a um voto de pobreza e lhe impõe o «anúncio» de alternativas e a «denúncia» da degradação e da imoralidade.
O que se vê é justamente o inverso.
A banca não consegue ocultar a sua ligação íntima à prática do crime. Multiplicam-se os casos de fraudes e falências fraudulentas, as afinidades do grande capital com os “offshores”, com a especulação imobiliária, com o mundo da política, com o crime organizado, com o comércio subterrâneo da droga, das armas, da exploração da mão de obra, da prostituição, com o branqueamento do dinheiro, etc., etc. A tudo isto - que implica miséria para os pobres e fortuna para os ricos e se pode exemplificar com factos e nomes concretos - a hierarquia católica dá a cobertura da sua mudez e os padres silenciam.
Poderá perguntar-se por que razão assim procede a igreja quando se torna evidente que a sua atitude provocará a destruição da sua imagem pública. A resposta é simples e pode fundamentar-se em realidades já largamente descritas por investigadores que se dedicaram e dedicam à revelação das relações ocultas entre as hierarquias religiosas e os interesses do grande capital. Diga-se, à laia de conclusão antecipada, que as práticas canónicas não só são afins das estratégias capitalistas mas estão em íntima identidade com os objectivos e métodos das plutocracias.

Escândalos da “democracia” capitalista…

Na década de 80, a adesão de Portugal à União Europeia foi o início da recuperação do grande capital monopolista que, a pretexto de uma ideologia (a «Europa sem fronteiras») fez alastrar a mancha das multinacionais, dos bancos gigantescos e dos capitais anónimos que subverteram as instituições da República e limitaram drasticamente a autonomia dos movimentos sociais. Foi a partir de então que se impôs um conceito ideológico mais alargado e dependente (a tese da «globalização») e se passou à fase imperialista do grande capital com a subordinação dos governos nacionais às imposições dos interesses financeiros da plutocracia mundial e com a entrega sistemática das áreas sociais à chamada «Sociedade Civil» dominada pelas forças obscurantistas, nomeadamente pelas redes caritativas da igreja. Em Portugal, foram principais responsáveis por essas tremendas mudanças os governos do PS e PSD e políticos como Cavaco Silva, Mário Soares, Jorge Sampaio, Durão Barroso e António Guterres.
Foram esses irredutíveis defensores do grande capital financeiro os grandes protagonistas das desnacionalizações, da absorção das empresas nacionais pelas poderosas multinacionais estrangeiras e da abertura ilimitada do espaço português aos grandes bancos multinacionais que, na sua esmagadora maioria, representavam o cruzamento dos capitais laicos e eclesiásticos. As primeiras consequência deste tratamento de choque produziram-se não apenas na banca e na área financeira ou económica mas, igualmente, a nível da educação, da saúde, da segurança social, das mutualidades, etc., áreas onde a hegemonia foi entregue pelo Estado à Igreja católica. Criou-se toda uma geração dos grandes senhores que hoje ocupam as principais empresas e os ministérios. Na gestão dessa operação destacaram-se vultos políticos e católicos bem conhecidos (padre Melícias, Maria de Belém, Vera Jardim, padre Maia, D. José Policarpo e muitos outros) que passaram a dirigir ou controlar importantes institutos sociais financiados pelo orçamento do Estado.
Nessa fase crucial (entre os anos 80 e os anos 90) a igreja, aliada às grandes fortunas, promoveu a fixação em Portugal de poderosos bancos de origem sobretudo espanhola que acabaram por dominar totalmente o mercado financeiro português. Eram formações de capitais com origem mista – laica e eclesiástica – que mergulhavam profundas raízes no mundo confessional das grandes Ordens canónicas tradicionais, na Opus Dei ou nas Fundações católicas e no próprio Banco do Vaticano cujos gigantescos capitais integram riquezas acumuladas desde os tempos arcaicos do Comércio e da Conquista.
Em meia dúzia de anos entraram de roldão em Portugal e aqui se instalaram bancos cuja enumeração exaustiva não pode caber aqui mas deve ser fundamentada com alguns casos concretos.
O grupo Bilbao/Viscaya fixou-se no nosso país em 1987 após se ter formado, na década anterior, a partir da fusão de dois bancos (o Bilbao e o Viscaya). É considerado como sendo o mais poderoso grupo bancário espanhol. Possui dezenas de pequenas e médias empresas industriais e é proprietário de vários outros bancos, tais como o Industrial de Bilbao, o Banco de Financiamento Industrial, o Banco da Corunha, o Asturiano do Comércio e Indústria, o Castelhano o Banco de Málaga, etc.
As operações de fusão do Bilbao e do Viscaya foram dirigidas pelo Opus Dei que desde 1960 penetrou nesta área da banca espanhola. Após o afastamento do cardeal Marcinkus e dos conhecidos escândalos do Banco Ambrosiano, o BBV foi um dos cinco grandes grupos financeiros mundiais chamado a gerir as finanças do Vaticano.
Grupo Banesto entrou em Portugal em 1987. Comprou uma seguradora (a Union y El Fénix ) e o Totta & Açores, após ter formado uma aliança com os Valores Ibéricos de José Roquete (OD). O «Banesto» tem profundas ligações ao Opus Dei e às famílias Garrigues e Taberner, pilares da Obra em Espanha. Outras ligações notórias relacionam o grupo com os Rockefeler, os Kenedy, a ITT, o Bank of America, o Chase Manhattan Bank, a General Electric, etc. Está no ramo bancário, na indústria e no comércio, na agricultura e na área social. Emprega mais de 50 mil trabalhadores. Em Portugal, constituiu a Sociedade Gestora de Participações Sociais, uma importante arma de intervenção no universo dos pequenos e médios investidores o que lhe dá acesso e influência entre as camadas da classe média alta.
Também em 1987, veio para Portugal o Grupo Hispano-Americano. A sua «casa mãe» foi o Banco Hispano-Americano fundado a partir dos capitais repatriados de Cuba e de outros países da América Latina pelas missões e fundações católicas da Companhia de Jesus e da Ordem Dominicana. Tal como nos casos anteriores, o grupo é dominado por uma família fortemente ligada ao Opus Dei, neste caso a família Urquijo. O grupo possui vários bancos controlados pelos Jesuítas que, no entanto, cederam um deles (o Banco Continental) à Ordem dos Dominicanos, abrindo assim um canal de ligação ao conjunto das outras formações do capital eclesiástico. É essencialmente uma instituição de crédito cujo principal objectivo é a partilha do mercado financeiro europeu. Com essa finalidade, criou uma “holding” (a Europartners) e ligou-se ao «Comerzbank» alemão, ao «Crédit Lyonnais» francês e ao «Banco di Roma» italiano, todos eles bancos relacionados com o Opus Dei e com o Vaticano. Em Portugal, é dono de um vasto leque de empresas do qual sobressai a SFAC – Sociedade Financeira para a aquisição de Crédito. Tem relações preferenciais com o grupo Benedetti/Amorim.
Grupo Benedetti/Amorim constituiu-se no nosso país através de uma associação milionária entre a Cofipsa do grupo Amorim, o grupo Albertos espanhol e o Banco Bilbao/Vizcaya e, naturalmente, com o Grupo Benedetti italiano. Desde a sua fundação tem revelado uma forte conexão de interesses com o BCP, o Grupo Suez, a Sociéte Générale de Belgique e o Bilbao Vizcaya, bancos com fortes ligações eclesiásticas. Tem grande penetração nos estados ex-socialistas do Leste europeu e domina o capital de fortíssimas multinacionais como, por exemplo, a Fiat, a Olivetti, a Mondadori, a Finanza e muitas mais. O grupo Benedetti possui igualmente dois jornais italianos de grande tiragem («L’Espresso» e «La Republica»). No campo financeiro português e tal como nos casos já citados de outros grupos, a Benedetti Amorim tem grande interesse pelo ramo do crédito, com destaque para o seu «Bank of Lisbon» e pela sua empresa financeira «Amorim – Investimentos e Participações».
A listagem dos grupos financeiros que invadiram Portugal nesse fatídico ano de 1987, era então Cavaco Silva primeiro-ministro, é praticamente interminável. Poderiam ser referidos os grupos Santander (Jesuítas e Dominicanos), o Deutsch Bank (Comissão de Gestão Financeira do Vaticano), o Grupo Sanpaolo (Confrarias e Misericórdias), o «Lobby da Caridade» (Cáritas, Misericórdias, Mutualidades, ONGs e IPSS, aplicações financeiras da Igreja), os espanhóis do grupo Central e do grupo March (caixas de aforro, família Urquijo, Companhia de Jesus), o todo-poderoso Grupo Opus Dei (rede de bancos eclesiásticos e laicos que fazem a aplicação no mercado dos fundos da Igreja e promovem a sua expansão) e um nunca mais acabar de instituições anónimas que alastram por toda a parte e dividem para reinar.
Todo este peso esmagador caiu sobre nós, o povo português.
Caridosa, a igreja apressa-se a abrir sucursais do banco alimentar que representa a versão revista e maquilhada das antigas sopas dos pobres: pobres dos pobres que são pobrezinhos! Mas, nos galarins do Poder os banqueiros de charuto e cartola continuam a cruzar-se com os bispos ou equiparados de longas vestes e com os políticos corruptos que alegremente saltam de poleiro em poleiro. E o governo de Sócrates, solidário, abre torneiras sobre torneiras do ouro que irá tapar os buracos deixados pela cupidez dos detentores das fortunas.
É preciso lutar. É preciso votar. É preciso mudar.

Bibliografia consultada:
A prodigiosa aventura do Opus Dei “ - Ruedo Ibérico
Relatórios, contas, gráficos e diagramas de empresas das “holdings”
“Malhas que o capital tece” - Edições “ Avante “
“Opus Dei“ - Editorial Notícias
Recortes de revistas e jornais
* Jorge Messias é amigo e colaborador de odiario.info"